Vanguardeando Blog

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sinto muito

Sinto muito tudo o que sinto
Sinto muito se hoje não esqueço o que sinto
Sinto muito amor pela vida que muito me sente
Sinto muito a faca fria que gargalha dentro de mim

terça-feira, 15 de junho de 2010

Contingências - parte 1

Fizeram amor, de fato. Seus corpos suados e mentes esvaziadas, para preenchê-las de certezas.
O que deveria ser esquecido permaneceu no insólito esquecimento. Talvez. Mas havia um esforço para empurrar as lembranças de sórdidas vicissitudes, hoje sórdidas, no breu, no Hades. Porque, o inesperado de uma vida, é puro arroubo de uma divina entidade arrogante que por seu bel prazer, nos tira a harmonia apolínia da vida, do viver.
Num lúgubre recanto da cidade ele pensa em pensar sobre sua condição limitada, estreita e estéril. Pensa em sua existência bossal, no fardo que carrega em insistir em viver e não em sobreviver como todos os demais. Ser feliz na efemeridade da vida, da existência. Corajosamente quer partir, "time out". Canhestramente, desiste.
Fazem juras de amor, um casal de amantes de Apolo, sim, são de Apolo, a harmonia, a certeza, a retidão, o previsível. Amantes da verdade que está numa vida aonde se supõe e crer-se nesta suposição, que as paisagens em volta de um caminho não mudam com as caminhadas. Sim, de fato não mudam, quando se caminha cegamente com os olhos vendados. Enxergando uma pacificadora verdade, realidade que tranqüiliza os inocentes e os ignorantes, caminham cegos, surdos e mudos (com seu silêncio de desespero) através da confortável escuridão. Amam-se parmedianamente. Negam o devir, porque os teme. Haverá o triunfal controle sobre a hybris, phatos e sobre eros. Não há ouvidos para o daimon, que cale-se. E assim a "coisa"  segue ao esquecimento.
Passos a frente, um olhar perdido, pensamentos imperfeitos e vastas ilusões. Vontade e desejo de sentir o sopro final de uma vida repleta de embustes e sujeitos covardes com suas "armaduras" impenetráveis, suas verdades e mentiras, seu silencio agressivo e constrangedor, suas preleções de afeto, suas Ideologias de contrabando, Filosofias de botequim e História dos "vencedores". Já chega desta farsa, pensa e quase grita de felicidade. Sente-se pronto para uma nova vida, mais uma vez, não recomeçar uma outra vida, mas terminar esta que está falida. Atravessa a rua, sinal vermelho, faixa de pedestre, e um veículo com um condutor desatento ou não.
Noutro canto aconchegante,  o vigor do sexo exala um inebriante aroma, a felicidade parva, o gozo alcançado, um orgasmo ou uma ejaculação surgiu. Seca, agreste e previsível como os contos de um folhetim vulgar. Pensa, já começo a esquecê-lo, é como se ele não existisse. Se olha no espelho e uma tímida lágrima surge inevitavelmente (como a vida é, inevitável).

MUNDO LIVRE S/A - Meu Esquema

Ela é meu treino de futebol
Ela é meu domingão de sol
Ela é meu esquema

Ela é meu concerto de rock'roll
Nação, minha torcida gritando gol
Minha Ipanema

Ela é meu curso de anatomia
Ela é meu retiro espiritual
Ela é minha história

Ela é meu desfile internacional
Ela é meu bloco de carnaval
Minha evolução...

Galega
Tento descrever o que é estar com você

Princesa
Todos vão saber que eu estou muito bem com você

Ela é minha ilha da Fantasia
A mais avançada das terapias
Meu Playcenter

Ela é minha pista alucinada
A mais concorrida das baladas
Meu inferninho

Ela é meu esporte radical
Poderosa, viciante, mas não faz mal
Meu docinho

Ela é o que meu médico receitou
Rivaldo Maravilha mandando um gol
Minha chapação...

Galega
Nem dá pra dizer o que é estar com você

Princesa 
Todo mundo vê que eu sou mais...
Que tudo dói e gosto da dor
Vivo assim, alcoviteiro vulgar de mim
Gosto do tapa seco, cuspida no rosto, na cara
O não preterido, sou
Esquecido facilmente como os dias que passam
Afinal de contas os dias são apenas dias
O que me resta é só o resto
O resto de sonho, dos sonhos que ninguém quer
Gosto da dor de pegar cacos de sonhos
E me cortar a montá-los
Vitrais de momentos que não hei de esquecer
Só para gozar com a dolorosa lembrança

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Minha vida é um doce
Que arde a boca
E arranha a garganta

Sou Pequeno e Parvo

Sou pequeno e parvo
As pessoas me olham e riem
Caminho em frente crendo que sou
Sendo alguém ou quiçá coisa alguma

Gozo é com a dificuldade dos sonhos
Nauseio-me com falsa concretude da vida
Com os corretos, sérios, os que sabem o que fazer
Sou pequeno e parvo

Afetado pelas contingências
Ofuscado por tanta estrela que brilha (sou pequeno e parvo)
Os doutores são tristes e infelizes
Porque ou viram Deuses ou professores

Os brilhantes e dedicados não sabem
Mas eu vos digo, em verdade
Sou pequeno e parvo

terça-feira, 8 de junho de 2010