Só
Vivo só.
Tantas pessoas ao meu redor. Mas me sinto só. E sinto além da solidão, a dor.
Dor que dá tapas em minha face, que chega a arder.
Sinto meu corpo desejoso de um afago carinhoso.
Desejo muitíssimo ouvir palavras carinhosas destinadas somente a mim.
Quero ver novamente aquele olhar, que me chama para perto de quem me olha.
Olhar que me admira pelo o que eu sou.
Sim, sou só e triste.
Sorrio, gargalho, brinco e suponho até que sou feliz. Todavia, sou só e isso me coage e me faz chorar.
Meu choro é um pedido, uma súplica, de quem diz: Por favor, não me mate! Eu ainda quero viver!
Vivo só, e de tão só que vivo, acho que sou até invisível, sou como água, insípida, inodora e incolor. Sou um ser, só.
De tão só que sou, acho que não me ouvem. Minha voz é um som fraco e sem sentido. Minhas palavras são emaranhados de letras, que formam palavras que ninguém entende.
Sou só.
Sou só. E sendo somente só, só desejo assim não mais ser.
Desejo não estar, desejo até, não mais existir.
Se não existir é não ser. E não ser é não ser só. Então desejo não ser. Pois só, não hei de ser mais.
Meu amor se transformou em solidão?
Solidão é uma boca enorme cheia de dentes, presas afiadíssimas, que abocanham gradativamente um pedaço do que um dia foi o meu coração.
E isso dói.
Sou só.
Brunno Amâncio Marcos
(Mais um mês triste de 2009)